Poema 35 • página 56

A queda do céu

subiram florestas de concreto e construções sobre o solo sagrado levaram o céu e ninguém viu o céu caiu foi queda depois aterraram com asfalto agora é impossível tocar a terra com os pés descalços só há chão a bolha de concreto cresce e engole terra a folha da samaúma chora e cai no chão a bela arara vermelha chora e cai no chão a casca da cigarra piranga chora e cai no chão a seiva urucum pinga chora e cai no chão chão chão chão chão chão o chão não tem mais cheiro de chuva e cheira a concreto cimento e construção caminham olhando para baixo mas perderam a visão vagueiam e ninguém vê a vida a ferida o sangue da floresta da samaúma da arara vermelha da cigarra piranga da seiva ucurumo sangue sagrado derramado espalhado pelas veias do extrato terrestre matéria mineral húmus argila indígena rocha- mãe.
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